sente aquele sol novamente, queimando tua pele. rasgando as células boas, penetrando os raios, criando prospectos das pobres malígnas. você já não liga. passou-se tanto tempo desde aquele lugar... você já não liga de viver. abre os braços, sente o vento ríspido a se entressachar na tua carne, te desafiando, ameaçando. engrola tuas velhas palavras, pois já não pensa do mesmo velho modo. se recorda de como tudo aconteceu, com aquela rapidez arrebatadora, e nem fez qüestão de verificar os ponteiros daquele relógio, que nem devia mais existir. quatro ou cinco gongos, você não liga. ainda peleja contra o vento, organiza suas neurosidades e cospe todas as impurezas referentes ao passado à favor do mesmo vento, só para ver até onde tuas frustrações passadas conseguem ir. basta apenas um arrepio no entrecosto...
e você mudou.